Bolsistas do edital para grupo sub-representados na ciência vão para o Reino Unido

Bolsistas da Fapeg contempladas no edital para grupos sub-representados na ciência e a gerente do Fundo Newton, Camila Almeida. Foto: Núbia Rodrigues / Ascom Fapeg.

Dois bolsistas contemplados no edital para bolsas de mestrado no Reino Unido direcionadas a grupos de minorias étnicas e mulheres já se mudaram e iniciaram os cursos de inglês que antecedem o início das atividades do mestrado. No total, o edital, que está inserido no âmbito do Fundo Newton, contemplou dez bolsistas. A chamada foi uma parceria entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), o British Council, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) e a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba (Fapesq).

Goiás foi o Estado com mais bolsistas contemplados, seis no total (e mais três na lista de espera). A bacharel em Psicologia, Enoe Isabela Baía de Moraes, e o bacharel em Tecnologia da Informação, Attyla Fellipe Sousa Lino, já estão no Reino Unido e realizarão, respectivamente, os mestrados em Psicologia, na University of Huddersfield, e em Ciência da Computação, na Queen Mary University. As outras quatro estudantes aprovadas já estão matriculadas e com vagas garantidas em mestrados nas Universidades de Monfort, Leeds, Manchester e Salford Manchester.

De acordo com a gerente do British Council para o Fundo Newton, Camila Almeida, o objetivo do edital foi totalmente cumprido. “Foi um processo muito intenso e vimos muita dedicação dos bolsistas para vencerem os desafios logísticos e conseguirem toda a documentação necessária e também para melhorarem os níveis de inglês”, explica. Ela ainda afirma que todos os dez contemplados foram aceitos em Universidade de alto perfil.

“A parcerias com as Fundações de Amparo à Pesquisa são extremamente importantes para que consigamos ter ações que priorizam pesquisas e pesquisadores de diversos estados”, destaca. Para a estudante Isabelle Cristine da Costa, que realizará mestrado em Biotecnologia, o edital foi muito importante exatamente pela questão da valorização regional e por permitir a inserção, no meio acadêmico, de pessoas pouco representadas. “Minha expectativa está enorme com essa oportunidade de internacionalização que nos foi oferecida”, salienta.

Para a publicitária Amanda Tolintino, cada fase do processo, curso de inglês, exame IELTS, arrumar toda a documentação foi um desafio que ela se orgulha de ter vencido. De acordo com Enoe Isabela, muitas pessoas tiveram dificuldades, inclusive motivacionais, para participarem do edital. “Exatamente por ser um projeto pioneiro, muitas pessoas não acreditavam que era real e desistiram. É um projeto que pode abrir portas para outras pessoas e esperamos que a Fapeg continue parceira nos próximos anos”, destaca.

Bolsa
O valor da bolsa para cada contemplado é de até 40 mil libras esterlinas que custearão os cursos de inglês, taxa de exame IELTS, tradução juramentada de documentos para candidatura universitária no Reino Unido, taxa de vistos, voo internacional, ajuda de custo e taxa de matrícula. Os valores de ajuda de custo e taxa de matrícula são repassados diretamente às Universidades, que repassarão, mensalmente, parte da bolsa aos contemplados.

Experiência
Enoe Isabela viajou para o Reino Unido em 28 de julho. Para ela, a adaptação tem sido tranquila e desafiadora. “Já tenho uma certa experiência de lugares mais acessíveis para compras aqui, alguns lugares para entretenimento, mas confesso que ainda tenho medo do trânsito. Acho que faz muito mais sentido o fato de eles dirigirem do lado direito, porém, confesso, já quase fui atropelada três vezes por olhar para o lugar errado”, revela.

A psicóloga, que inicia o mestrado neste mês de setembro, afirma que o curso introdutório foi muito interessante, sobretudo por ser realizado em um dos prédios da Psicologia. “Entre os projetos que já vi nos murais do prédio, encontrei um que discute como a etnicidade influencia a infância das crianças negras e outro foi sobre Psicogeografia, em que se pesquisa a relação entre Saúde Mental, população LGBT e ocupação do espaço urbano. Estou animada para começar a estudar e desenvolver meu próprio projeto”, destaca.

Para ela, a diversidade cultural de Huddersfield tem sido encantadora e explica que está ansiosa pelo início das aulas do mestrado e por conhecer a nova turma. “Também tenho gostado muito de como as pessoas são receptivas, atenciosas e respeitosas aqui”, finaliza.

Sobre a iniciativa
Dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) mostram que dos 12.780 pesquisadores brasileiros que receberam bolsas de pesquisa internacional em 2014, com base na auto declaração, 64,8% eram brancos, enquanto 3% orientais, 16,4% eram mestiços e 2,4% negros. Além disso, das bolsas de estudo nacionais concedidas pelo CNPq em 2015, no âmbito da participação das mulheres, 59% foram atribuídas a mulheres brancas e 26, 8% a mulheres negras. Com relação aos homens, 56,3% foram alocados aos brancos e 24,3% aos negros.

Neste contexto, sob a linha de “Professional Development & Engagement” (PDE), o projeto Mestrado de Bolsas de Estudos para grupos Sub-Representados na Ciência no Brasil busca alavancar a participação de tais grupos nas áreas da ciência, bem como apoiar o ambiente científico e de inovação no Brasil. O objetivo estratégico do projeto é a promoção de um programa de mestrado no Reino Unido, como uma experiência abrangente para fortalecer a participação de grupos sub-representados, como mulheres de minorias étnicas na ciência e inovação no Brasil, além de influenciar mais práticas e políticas inclusivas.

Assessoria de Comunicação Social da Fapeg.

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