Comitiva do Confap participa de diversas reuniões na França

Membros da comitiva brasileira em missão na França
Presidentes de Faps participam de missão em diversas cidades francesas. Foto: Confap

A primeira reunião da Missão do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) na França foi realizada no Ministério da Educação Nacional, do Ensino Superior e da Pesquisa, em Paris, em 14 de novembro. A tônica do encontro foi o reconhecimento, por parte de autoridades francesas, da importância da cooperação científica entre Brasil e França. A presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás e vice-presidente do Confap, Maria Zaira Tuchi, participa da missão, que prossegue até sábado, incluindo paradas nas cidades de Montpelllier e Bordeaux.

“O Brasil é um parceiro universitário importante e nossa cooperação é antiga e sólida. Estudantes franceses representam o primeiro contingente acadêmico europeu que se deslocam ao Brasil e publicam mais de 1.200 artigos por ano ”, afirmou Marie Revel, do setor de Parcerias Universitárias e Científicas do Ministério de Assuntos Exteriores e de Desenvolvimento Internacional da França.

“Desde a implementação do programa CAPES- COFECUB, há 38 anos, três mil doutores brasileiros se formaram na França”, acrescentou o conselheiro da Embaixada do Brasil na França, Cesário Alexandria, também encarregado da cooperação em CTI. “É um fato positivo que o Confap e as Faps já tenham estabelecido parcerias com o Centre  Nationnal de la Recherche Scientifique (CNRS), o Centre de coopération internationale en recherche agronomique pour le développement (CIRAD) e o The French Institute for Research in Computer Science and Automation (INRIA)”.

Segundo o presidente do Confap, Sergio Gargioni, um acordo firmado neste ano com o Centro Europeu de Investigação vai permitir ampliar ainda mais essa cooperação com a França. Ele apresentou a instituição e deu como exemplo de cooperação internacional o Fundo Newton, com o qual o Confap tem o compromisso de investir R$3 milhões. “Mas o Reino Unido fica atrás da França, tido como segundo país que mais coopera com o Brasil”, ressalta.

Na sequência, o diretor do Ministério de Educação, Denis Despreaux, falou sobre a situação da pesquisa em sua nação. “A França é o país que mais publica artigos conjuntos no mundo. Temos a maior taxa de sucesso dentro dos programas quadro (atualmente Horizonte 2020). Outra especificidade francesa é a presença de laboratórios no estrangeiro”, afirmou, mostrando o caso do CNRS-IMPA no Rio de Janeiro.

Estavam presentes no evento, além da comitiva brasileira, o presidente do Comitê Francês de Avaliação da Cooperação Universitária com o Brasil (COFECUB), Bernard Breyfus, que falou sobre a parceria com a Capes e a Usp, e o Conselheiro de Cooperação e de Ação Cultural adjunto e responsável pela Cooperação Científica, Universitária e Tecnológica da Embaixada da França no Brasil, Philippe Martineau. Também estavam presentes, a responsável pela América Latina no Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), Eloise Gransagne; o diretor para as Américas e Oceania do CNRS, Jean Thèves; Carole Pierlovisi, do setor de Assuntos Internacionais e Europeus do Museu Nacional de História Natural; Tania Castro, do INRIA;  Aurelien Carboniere, do  Institut Francais de Recherche  pour  l`Exploitation de la Mer (IFREMER); e o diretor geral delegado adjunto de Pesquisa e Estratégia do consórcio formado por Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (CIRAD) e Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica (INRA).

Ainda no dia 14 os integrantes da missão se reuniram com o embaixador do Brasil na França, Paulo César de Oliveira Campos.

Polos internacionais mundiais

Na terça-feira, 15 de novembro, os presidentes e diretores de Faps conheceram um dos 10 polos internacionais mundiais, o Systematic Paris-Regions Digital Ecosystem, e o Institut de Recherche Technologique (IRT) System X, que trabalha com instituições do porte da Universidade Paris-Saclay. Durante a visita, a diretora adjunta de Inovação e de Relações Empresariais da Universidade Paris-Saclay, Tani di Gioia, afirmou que grandes grupos se instalaram naquela região, a exemplo da Renault, Danone e Airbus, devido à força da Universidade no desenvolvimento econômico do território.

“Temos dez mil pesquisadores e 1.500 novos doutorandos se inscrevem a cada ano, dos quais 45% são estrangeiros. Aproximadamente 500 concluem o doutorado todos os anos”, ressaltou. Ela ainda explicou que desde 2014, a Universidade lançou três chamadas que alocaram 8 milhões de euros para 125 projetos. A próxima será em 2017.

As áreas de maior destaque da instituição são Matemática, Física e Ciências da Computação, mas também há um projeto para construir um laser super potente que dará acesso a novas propriedades de matéria. No campo da Nanoeletrônica, a Universidade está conectada com o mundo industrial com atores como Nokia. E no campo da informática, vale destaque o Digiscope, com aparelhos extremamente avançados em termos de pesquisa.

Segundo Tania, Paris-Saclay conta com apoio do governo francês para construção de prédios e de uma nova linha do metro que chegará em 2025. Para maturação de laboratórios, o governo é um dos subsidiários do SATT Paris-Saclay, com 33%, sendo que a Universidade mantém 67% em dois acionistas principais. O orçamento total para 10 anos é de 66 milhões de euros.

Systematic Paris-Regions Digital System

O Systematic Paris-Regions Digital System X é um polo digital e de programas que está aberto a projetos colaborativos, inclusive a ações articulados pelas Faps.  O diretor geral adjunto e responsável pelo Desenvolvimento e pela Área Internacional no IRT System X, François Stephan, afirma que lá se trabalha com transformação digital por meio da pesquisa tanto para pequenas quanto para grandes empresas. “Existe cofinanciamento público-privado (50% cada). Quanto ao orçamento, temos cerca de 2,5 bilhões de euros para 10 anos”, disse.

Algumas das áreas de aplicação são: indústria ágil (construção de peças em 3D, por exemplo), transferência tecnológica para automóveis, integração territorial e mobilidade smart, questões de segurança na Internet. “Se uma empresa brasileira tiver atividades de P&D na França, ela aportará recursos e terá contrapartida em dinheiro e outros resultados”, concluiu Stephan.

Montpellier

Ainda na terça-feira, a delegação brasileira iniciou visitas em Montpellier, tendo sido recepcionada pela primeira vice-presidente e responsável pela Comissão de Ensino Superior e Pesquisa na Região de Occitanie, Catherine Eysseric.

Além da presidente da Fapeg, fazem parte da comitiva outras doze pessoas: o presidente do Confap e da Fapesc, Sergio Gargioni; a diretora-presidente da Fapeap, Mary Guedes; o presidente da Fapespa, Eduardo José Monteiro da Costa; o presidente Facepe, Abraham Benzaquen Sicsú; o presidente e o diretor técnico-científico da Fapergs, Odir Antonio Dellagostin e  Érico Marlon de Moraes Flores, respectivamente; o presidente da Fapema, Alex Oliveira de Souza; o diretor-presidente da Fapeal, Fábio Guedes Gomes; e o coordenador da área de Engenharia da Fapesp, Euclides de Mesquita Neto.  Acompanham também a missão o secretário executivo e a coordenadora de comunicação do Confap, Luiz Carlos Nunes e Heloisa Dallanhol

Fonte: Coordenadoria de Comunicação do Confap, com alterações

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