Mesa-redonda debate inovação nas universidades públicas

Diretor Científico da Fapeg, Albenones Mesquita, participa de debate na UFG. Fotos: Adriana Silva
Diretor Científico da Fapeg, Albenones Mesquita, participa de debate na UFG. Foto: Adriana Silva

O processo burocrático do registro de patentes, o papel dos doutores nas empresas, as diferenças nas dinâmicas da pesquisa na universidade e no mercado de trabalho e a necessidade da inovação no ensino universitário foram alguns dos temas tratados na mesa-redonda Desenvolvimento Tecnológico e Inovação nas Universidades Públicas, realizada na manhã da última quarta-feira (19), no Auditório da Biblioteca Central da UFG. A atividade integrou a programação do III Seminário de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação e faz das ações do Programa de Formação em Inovação, realizado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (PRPI).

A mesa-redonda, que foi mediada pelo professor Cândido Borges, da Coordenação de Transferência e Inovação Tecnológica (CTIT), contou com participação do diretor Científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás, Albenones José de Mesquita, e dos professores José Aurélio Medeiros da Luz (UFOP) e Mônica Freiman de Souza Ramos (UFRJ). Todos os convidados reforçaram que o papel das universidades públicas é de formação de recursos humanos altamente qualificados, que deve ser fomentada por cursos de pós-graduação stricto sensu.

Inovação

Para a professora Mônica Freiman, o maior desafio das universidades é conseguir implementar e levar para dentro das indústrias doutores que projetem e tragam inovações dentro da própria indústria. “O papel da Universidade envolve formar o senso crítico. Na minha visão, um dos maiores papeis na formação do doutor não é só a criação de um projeto com tendência inovadora, sim desenvolver a formação crítica e a diferenciação”, argumentou.

Já o professor José Aurélio, explicou que há uma resistência das empresas em relação à contratação de doutores, tendo em vista que profissionais com doutorado teriam uma visão “teórica demais”, ou seja, uma visão platônica do universo, que poderia desacelerar a resolução de questões práticas. Para ele, esta é uma percepção ultrapassada e é preciso “isocronizar os relógios da empresa e da Universidade” para elas possam trabalhar, em conjunto, em prol do conhecimento e da inovação.

Outro tema discutido durante a mesa foi o conflito de interesses entre o mercado e a academia. O pesquisador brasileiro depende diretamente de publicações em revistas e periódicos acadêmicos para que tenha seu trabalho reconhecido. Ao mesmo tempo, as empresas não querem que seus projetos sejam divulgados antes da hora certa. Neste sentido, Albenones Mesquita destacou que a Universidade deve manter a mente aberta em relação a isso, pois o mercado é soberano. “O empresário vem até aqui procurando uma solução para um problema que ele tem. E é o pesquisador qualificado que poderá resolver esse problema. É preciso encontrar um equilíbrio entre as necessidades das duas partes”, ponderou.

Ensino 

Na porção do evento destinada às perguntas da plateia, um assunto recorrente foi a aplicação da inovação no ensino universitário, ou seja, como usar a inovação para melhorar o ensino e torná-lo mais eficaz. Como possíveis ações para que esta melhora aconteça, os professores convidados indicaram a consolidação dos parques tecnológicos, a valorização das incubadoras de empresas, o investimento em laboratórios multiusuários e a comunicação entre as diversas áreas do conhecimento.

A Pró-Reitora da PRPI, professora Maria Clorinda Soares Fioravanti citou a importância da iniciação científica e da mudança de pensamento em relação ao ensino. “A gente tem que começar a mudar a ideia de que ensino é sala de aula. Daí começa a inovação. A gente sabe que esse modelo de ensino está falido, mas ainda não conseguimos achar uma maneira melhor de ensinar. Tudo mudou ao longo dos anos, menos a escola. Temos projetos de pesquisa, projetos de extensão, mas não temos projetos de ensino. E as pessoas que estão pensando novas práticas de ensino e aprendizagem? Isso precisa ser valorizado e estimulado”, concluiu.

Fonte: Ascom UFG – Texto: Giovanna Beltrão

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