Presidentes das FAPs e entidades de fomento da ciência alertam para a necessidade de investimento no setor

Ministro Gilberto Kassab durante abertura do Fórum Nacional do Confap. Foto: Renan Rigo / Ascom Fapeg.

A urgência em reverter o status da Ciência e Tecnologia de gasto para investimento, como forma de retomar o crescimento brasileiro, foi a grande discussão delineada na abertura do Fórum do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), nesta quinta-feira, dia 18, em São Luís (MA). A solenidade, que contou com a presença de autoridades estaduais e nacionais – incluindo o ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, e o governador do Maranhão, Flávio Dino – foi permeada por discursos que destacavam o papel da ciência no crescimento econômico brasileiro e criticavam o posicionamento do poder público de cortes nos orçamentos da pasta, diferente de outros países que, mesmo em crise, investiram mais no setor para encontrar soluções para o seu desenvolvimento.

Realizada no Teatro Arthur Azevedo, no Centro Histórico da capital maranhense, o Fórum foi aberto pelo presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema), Alex Oliveira de Souza, que ressaltou o fortalecimento das FAPs com a troca de experiências promovida pelo encontro, bem como da necessidade da aproximação com empresas, estas como investidoras da ciência, tecnologia e inovação. “É muito importante o reconhecimento dessas empresas em investir em ciência, tecnologia e inovação a partir das agências de fomento”, avaliou.

A Fapema assinou, durante a solenidade, um Protocolo de Intenções com a Vale para o crescimento do polo de pesquisas realizadas no Maranhão. De acordo com o gerente executivo de Tecnologia e Inovação da Vale, Luis Eugenio Mello, o investimento em CT&I é fundamental para o futuro da empresa, especialmente em sua área de atuação, o setor mineral. “Diferente de outros países, enquanto as empresas são as maiores responsáveis pela geração de patentes, no Brasil isso é bem diferente. São as universidades as maiores geradoras, o que nos é estranho. O acordo de hoje celebra um momento importante com a Fapema nessa construção de um país melhor”, ponderou.

Vice-governador do Maranhão, Carlos Brandão Junior; presidente da Fapema, Alex Oliveira; presidente da Fapeg e vice-presidente do Confap, Zaira Turchi; governador do Maranhão, Flávio Dino; e presidente do Confap, Sérgio Gargioni. Foto: Israel Di Nápoli / Fapema.

Superação de desigualdades
O presidente do Confap, Sérgio Gargioni, reforçou que apesar da crise ter afetado o setor de ciência, tecnologia e inovação, a pesquisa precisa ser continuada. “Temos que responder aos anseios da população brasileira, mas temos dificuldades e frustrações. Precisamos e estamos nos unindo para converter as pessoas de que a ciência, a tecnologia e a inovação são o futuro do País”, ressaltou.

O ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, destacou a convicção de que a pesquisa e a ciência precisam do apoio do poder público e que para o enfrentamento à crise é necessário se priorizar esses investimentos. “Os investimentos em ciências são fundamentais. Dentre os caminhos para se voltar a crescer, um deles é o investimento nas ciências”, ratificou.

Concordando com o posicionamento, o governador do Maranhão, Flávio Dino, fez um comparativo com o seu próprio estado, no qual convivem o moderno e o arcaico. “Na cidade de Alcântara, por exemplo, nós temos casarões da época do Ciclo do Algodão e lá nós lançamos foguetes. E isso é muito parecido com a política de investimentos em ciência, tecnologia e inovação. Mas, nesse caso, precisamos superar o quadro paradoxal e o papel das FAPs é imprescindível para a superação das desigualdades de recursos”, salientou.

Mesa redonda na solenidade de abertura do Fórum do Confap, no Maranhão. Foto: Renan Rigo / Ascom Fapeg.

Coordenação e reconhecimento
Dando continuidade à programação, foi realizada a mesa redonda “Ciência, Tecnologia e Inovação como política de Estado”, com a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Helena Nader; o secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTIC, Jailson Bittencourt de Andrade; o presidente da Capes, Abílio Baeta Neves; e o presidente da Fapema, Alex Souza.

Helena Nader foi enfática em ressaltar o abismo entre o investimento aplicado em CT&I no Brasil, em relação a outros países. Mostrando dados comparativos, reforçou o crescimento do País na área com os investimentos realizados até então e destacou que cortes no orçamento vão na contramão da saída da crise. “É preciso que as pessoas percebam que a economia depende do investimento em ciência e tecnologia. Que o agronegócio que segurou o PIB na crise, por exemplo, é totalmente dependente da ciência”, arguiu.

O secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do MCTIC, Jailson Andrade destacou a necessidade de mitigar as divergências nacionais, promovendo educação de qualidade em todos os níveis e investindo na pesquisa básica, com ampliação da infraestrutura de CT&I e integração dos sistemas. Por outro lado, o presidente da Capes, Abílio Baeta Neves, alertou sobre o crescimento desigual das diferentes regiões. “Temos um desequilíbrio muito grande, com concentração de investimentos no Sudeste e isso precisa ser igualado, como forma de atuar no desenvolvimento regional”, salientou.

Debate realizado durante Fórum Nacional do Confap, em São Luís. Foto: Renan Rigo / Ascom Fapeg.

Participando também com questionamentos, o presidente do CNPq, Hernan Chaimovich, reforçou que o sistema de CT&I, por causa da crise, está não somente diminuindo o financiamento, mas também promovendo o distanciamento da ação conjunta e coordenada. “Não basta pedir recursos, temos que ter direção estratégica para resgatar nossa capacidade de coordenação e comunicação e assim atender as necessidades do setor”, complementa.

A presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), Maria Zaira Turchi, que é vice-presidente do Confap, também participa do Fórum. O encontro continua na parte da tarde, com discussões junto a agências nacionais de fomento e experiências exitosas das Fundações. Na sexta-feira, dia 19, estão programados debates sobre experiências de pesquisas com o governo federal, investimentos de empresas e agenda internacional das Fundações.

Assessoria de Comunicação Social da Fapeg.

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